O que alguns grandes investidores fazem em crises

Quando o mercado cai muito, às vezes os grandes investidores aproveitam a oportunidade, veja essa notícia, por exemplo:

Maior investidor pessoa física da bolsa aproveita dia de pânico no mercado para comprar ações

http://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-e-indices/noticia/6524494/maior-investidor-pessoa-fisica-bolsa-aproveita-dia-panico-mercado-para

É para refletir. Claro que você não precisa fazer o mesmo e investidores grandes também erram de vez em quando, mas de qualquer forma essa é uma lição importante principalmente para aqueles desejam fazer buy and hold e segurar ações em carteira por décadas.

ETFs costumam cair menos que ações em crises

Hoje o mercado afundou, algumas ações de empresas grandes caíram 15 a 20%, isso é bem raro de ocorrer. E os ETFs até que se saíram mais ou menos bem, em média caíram uns 8 ou 9%, o índice de materiais básicos não caiu muito talvez porque o dólar subiu muito e empresas desse índice exportam e se beneficiam com o dólar mais alto.

Mas essa queda toda parece que foi meio exagerada. O mercado costuma exagerar, tanto para cima quanto para baixo. Os fundamentos das empresas ainda continuam praticamente os mesmos, os juros vêm caindo, inflação também caindo, PIB voltou a crescer, empresários investindo, as coisas estão mais ou menos bem encaminhadas, o futuro do nosso país é promissor.

De qualquer forma, sempre que ocorrem essas quedas é bom lembrar da importância da diversificação. ETFs costumam cair(e subir) menos no curto prazo porque são carteiras de investimento com várias ações, a chance de todas elas caírem muito é muito pequena, o que acaba protegendo o patrimônio do investidor.

ETFs brasileiros ainda não pagam dividendos

Muitos ETFs em outros países pagam dividendos, por exemplo o ETF do índice americano S&P 500, o SPDR S&P 500 ETF, que atualmente está com um dividend yield de cerca de 2% ao ano(está um pouco baixo porque o mercado está há anos subindo), no caso deste ETF são distribuídos a cada 4 meses, 3 vezes por ano, mas quando e se é distribuído varia de ETF para ETF, de gestor para gestor.

No Brasil os ETFs ainda não distribuem dividendos, eles recebem os dividendos e já reinvestem na própria carteira. O lado bom disso é que é mais prático, o investidor não tem que ficar reinvestindo, o lado ruim é que não dá para receber renda passiva que muitos querem ter. Nem o DIVO11 que segue o índice de dividendos brasileiro distribui dividendos. Acho que isso é temporário, talvez no futuro os gestores que oferecem esses produtos vão acabar fazendo distribuições periódicas, muita gente quer isso.

Veja essa lista dos TOP 100 ETFs que mais pagam dividendos (em inglês)

http://etfdb.com/compare/dividend-yield/

Como você pode ver, alguns pagam até dezenas de % ao ano em dividendos, mas no Brasil ainda não temos esse privilégio, nos resta aguardar para poder receber periodicamente esses proventos. Muita gente gosta da ideia de ter uma renda passiva, quem sabe no futuro seja possível.

ETFs: scalp, day trade, swing trade, position ou buy and hold?

Esses termos no título do post são diferentes tipos de trade. A diferença principal é o tempo que cada trade dura. Podemos generalizar da seguinte forma:

Scalp: o tempo é curtíssimo, alguns segundos ou minutos

Day trade: alguns minutos ou horas

Swing trade: alguns dias ou semanas

Position: semanas, meses ou até alguns poucos anos

Buy and hold: maior prazo possível, muitos anos, geralmente mais de 10, visando a aposentadoria

Outra diferença é a quantidade de trades, quanto maior o tempo menor a quantidade de operações. Outra, é a alavancagem. Geralmente quanto maior o tempo, menor a alavancagem.

Investidor mesmo, aqueles que fazem buy and hold, que compram e seguram por 10, 20, 30 anos são poucos. Muita gente por aí que fala que faz buy and hold na verdade está fazendo position trade. 

Quem faz buy and hold confia profundamente nas análises que faz e segura o investimento mesmo em situações catastróficas e crises, não liga se cair 50% porque espera que ao longo de muitos anos essas quedas se recuperarão e darão ainda muitos lucros. São investimentos que geralmente visam a aposentadoria e serão resgatados no futuro distante ou continuarão em carteira para viver do recebimento de dividendos.

Todas essas operações podem ser feitas com ETFs, até operações de aluguel e de opções mas essas não são muito comuns no Brasil, em outros países praticamente tudo que fazem com ações também é feito com ETFs. Existem até ETFs alavancados, ETF de volatilidade, ETFs contrários (inverso de um índice, igual operar vendido), tem de tudo em outros países, algum dia o Brasil também terá tudo isso.

Cada pessoa tem um perfil e objetivos diferentes e deve analisar o que é melhor para a situação em que se encontra, antes de fazer qualquer investimento pesquise, leia e estude sobre o assunto.

Índices e ETFs foram atualizados

Começou hoje o quadrimestre novo, de maio a agosto novas carteiras de ações dos índices da bolsa de valores entraram em vigor e os ETFs que seguem esses índices também fizeram as mudanças.

Algumas ações entraram, outras saíram, outras aumentaram a participação e outras diminuíram. Isso ocorre a cada 4 meses automaticamente de acordo com cada metodologia de cada índice. Os ETFS fazem a mesma coisa.

Veja no site da B3 ou no site das empresas que oferecem ETFs as novas carteiras dos índices e suas metodologias. No site da B3 é só ir até algum índice e clicar em “composição da carteira” ou fazer uma pesquisa pela internet. 

O IDIV, Índice Dividendos, teve algumas mudanças grandes na composição, o ETF DIVO11 que segue o índice também.

Essa é uma das vantagens dos ETFs, a carteira automaticamente se renova, se atualiza, a cada 4 meses.

Vale a pena investir em ETFs?

É bom pesquisar bastante antes de concluir se um investimento vale a pena. Tem muita coisa pela internet e no próprio site da bolsa de valores e das empresas que oferecem ETFs. Algumas vantagens e desvantagens são:

Vantagens dos ETFs

  • Baratos, as taxas de administração são muito baixas, menos de 1% ao ano
  • Investimento inicial baixo, mais baixo que alguns fundos de ações
  • Ótima maneira de iniciar na Bolsa de Valores e se familiarizar com o mercado
  • Mais simples e rápido que comprar várias ações
  • Menor volatilidade que ações
  • Liquidez garantida por Formadores de Mercado
  • Boa alocação de risco, não existe muita concentração em cada ativo
  • Investe apenas em ações que tenham liquidez e não sejam Penny Stocks
  • Remoção automática da carteira de empresas com problemas graves
  • No caso de crise costumam cair menos que ações individuais
  • Muita transparência, é possível saber exatamente quais ativos e as porcentagens de cada um deles na carteira
  • Diversificação nacional ou internacional
  • Permite investir nos EUA em reais sem necessidade de abrir conta no exterior e com investimento inicial baixo
  • Reinvestimento automático dos dividendos
  • Rebalanceamento automático da carteira
  • Economia de tempo ao não ter que analisar centenas de empresas durante anos e decidir a alocação de cada uma
  • Menos estressante e mais fácil de acompanhar que investir em ações
  • Não precisa se preocupar com subscrições, bonificações, agrupamentos e desdobramentos de ações
  • Vários estudos têm demonstrado que o desempenho de ETFs foram superiores à maior parte dos fundos de gestão ativa
  • É possível disponibilizar ETFs para aluguel e ganhar uma renda extra
  • A cada 4 meses os índices aplicam a metodologia(pesquise no site da Bolsa ou dos ETFs sobre isso) de cada um deles e geralmente algumas ações saem e outras entram em carteira, os ETFs fazem o mesmo, o investidor não tem nenhum trabalho e a carteira é atualizada automaticamente

Desvantagens dos ETFs

  • A maior desvantagem é quando vender com lucro ter que pagar uma DARF de Imposto de Renda até o último dia útil do mês seguinte. Pode ser feito com a ajuda do SICALC, um sistema online da Receita Federal que gera uma DARF e depois preencher com as informações geradas no sistema de pagamento de impostos online de seu banco(procure por DARF ou impostos federais) e pagar. Isso é chato e dá um certo trabalho, ETFs não contam com isenção até R$ 20 mil por mês como no caso das ações. A alíquota é de 15% sobre os lucros. Se não pagou esse imposto nos meses anteriores o SICALC já calcula os valores das multas​ e juros para você. O investidor tem que fazer tudo sozinho e se não pagar a DARF tem que pagar multa e pode cair na malha fina. Fundos imobiliários também têm que fazer isso mas no caso deles é pior porque não é 15% como nos ETFs, é 20%.
  • Algumas corretoras não permitem comprar alguns ETFs alegando falta de liquidez, o que não é lá muito verdade porque eles têm liquidez garantida por Formadores de Mercado, robôs contratados que ficam automaticamente comprando e vendendo garantindo liquidez e spread(diferença entre preço de compra e venda) baixo.
  • Intervenções do governo brasileiro no dólar podem prejudicar os rendimentos dos ETFs que seguem o índice americano S&P 500.

Essas foram algumas vantagens e desvantagens, provavelmente existem outras. Esse post não é uma recomendação de investimento, dê uma boa pesquisada antes de fazer qualquer tipo de investimento.